14 de setembro de 2011
Cartas de amor
Desde muito jovem descobri meu interesse pela história da cidade, sempre ouvia meu pai contando os causos da cidade que ele conhecia muito bem pois nunca saiu daqui. Eu sempre perguntava pra ele quem morava nas casas mais antigas, ele adorava mesmo era contar da casa do Ataliba Leonel, que hoje está no centro da cidade. Me lembro que certa vez fui ao dentista com minha mãe, e era uma construção antiga muito bem conservada, para entrar havia uma escada que levava até a porta e ao lado da escada a escultura de dois leões tão perfeitos que eu na minha inocência de criança fiquei morrendo de medo de serem verdadeiros - nem me mexi enquanto minha mãe era atendida pelo dentista rsrs.
Mas meu pai ficou doente logo, nos meus 15 anos já não podia mais contar com ele, pois depois do AVC esqueceu muita coisa. Então sempre conversava com um senhor daqui o Sr Domingos corona que foi o primeiro carteiro de Piraju, era muito amigo do meu pai e faleceu com mais de 100 anos. Minha fonte se esgotou porém até hoje não me canso de admirir a arquitetura das casas do centro da cidade que sei serem as contruções mais antigas, sempre encontro algum tipo de decoração como anjos, flores e arabescos no alto das casas e quando tenho a oportunidade procuro saber quem construiu a casa, com qual objetivo e coisas assim.
Imaginem minha felicidade quando há 2 anos atrás ao abrir o jornal da cidade encontro um texto contando parte de uma história escondida pelo tempo. Sim, uma linda história de amor, dessas que não vemos mais hoje em dia, vou tentar contar com minhas palavras, mas deixo o texto que escaneei do jornal para que leiam na íntegra.
A história aconteceu há mais de setenta anos e todos seus protagonistas já faleceram. Na época da construção da barragem em Piraju, veio morar aqui um jovem engenheiro chamado Lustosa, que era o responsável pelo canteiro de obras da barragem. Hospedou - se numa antiga pensão próximo a praça central da cidade, e todas as noites após o jantar, o jovem rapaz fazia uma caminhada até a praça, onde descansava.
Numa dessas noites, percebeu na janela de um casarão que ficava numa das esquinas, uma jovem de longos cabelos que o olhava. A partir daí todas as noites o jovem engenheiro passava pela janela e cumprimentava a moça, que tímidamente retribuía.
Depois de muitas noites, o jovem encheu - se de coragem e foi até a casa e explicou aos pais da moça seu interesse. Foi repelido pela família dela, pois alegaram que ninguém sabia de onde ele vinha e não coneciam sua família, além do que a moça era muito jovem. Ele insistiu porém sem êxito, saiu da casa sem nem saber o nome da moça.
Durante os próximos meses a janela permaneceu fechada, e Lustosa não sabia se essa iniciativa era por decisão da moça ou se estava sendo forçada. Ele não desistia e continuava todas as noites a olhar para a janela em busca da sua amada. Tanta insistência teve resultado, e após alguns meses a moça reapareceu, e a paixão estava mais forte. Essa paixão agora, passou a ser relatada em cartas que eram colocadas embaixo de um vaso de rosas que ficava na janela. Esse amor foi crescendo até que um dia um dos irmãos encontrou uma carta e entregou ao pai. Sem querer saber de nada, o pai imediatamente enviou a filha para um colégio interno em São Paulo, de onde só sairia quando o engenheiro tivesse ido embora.
Lustosa ficou arrasado com a separação e quando as obras na usina terminaram ele continuou em Piraju aguardando o retorno da moça. Enquanto isso se responsabilizou em replanejar a praça. Para representar seu amor construiu na praça um lago em forma de coração, cuja extremidade aponta para a janela onde a moça ficava.
O tempo passou e a família da moça não voltava atrás, por causa do amor incompreendido Lustosa tentava aliviar sua dor no álcool, em muito pouco tempo teve fraqueza pulmonar e logo depois morreu num sanatório em Campos de Jordão.
A moça voltou para casa, nunca se casou e até seu falecimento todas as noites saia na janela no mesmo horário de sempre, quem sabe em busca de ver seu amor ou receber uma de suas cartas.
Essa é a foto do tal lago que fica na Praça Ataliba Leonel no centro de Piraju. Essa linda história de amor foi contada pela dona Diva do Val, uma memória viva de muitas histórias de nossa cidade, e foi escrita de maneira poética pelo Théo Motta, que escreve para um dos jornais da nossa cidade, o que faz com muita competência. É evidente que nas palavras dele o conto fica muito melhor por isso coloco abaixo a publicação do jornal na íntegra.
14 de setembro de 2011
Cartas de amor
Desde muito jovem descobri meu interesse pela história da cidade, sempre ouvia meu pai contando os causos da cidade que ele conhecia muito bem pois nunca saiu daqui. Eu sempre perguntava pra ele quem morava nas casas mais antigas, ele adorava mesmo era contar da casa do Ataliba Leonel, que hoje está no centro da cidade. Me lembro que certa vez fui ao dentista com minha mãe, e era uma construção antiga muito bem conservada, para entrar havia uma escada que levava até a porta e ao lado da escada a escultura de dois leões tão perfeitos que eu na minha inocência de criança fiquei morrendo de medo de serem verdadeiros - nem me mexi enquanto minha mãe era atendida pelo dentista rsrs.
Mas meu pai ficou doente logo, nos meus 15 anos já não podia mais contar com ele, pois depois do AVC esqueceu muita coisa. Então sempre conversava com um senhor daqui o Sr Domingos corona que foi o primeiro carteiro de Piraju, era muito amigo do meu pai e faleceu com mais de 100 anos. Minha fonte se esgotou porém até hoje não me canso de admirir a arquitetura das casas do centro da cidade que sei serem as contruções mais antigas, sempre encontro algum tipo de decoração como anjos, flores e arabescos no alto das casas e quando tenho a oportunidade procuro saber quem construiu a casa, com qual objetivo e coisas assim.
Imaginem minha felicidade quando há 2 anos atrás ao abrir o jornal da cidade encontro um texto contando parte de uma história escondida pelo tempo. Sim, uma linda história de amor, dessas que não vemos mais hoje em dia, vou tentar contar com minhas palavras, mas deixo o texto que escaneei do jornal para que leiam na íntegra.
A história aconteceu há mais de setenta anos e todos seus protagonistas já faleceram. Na época da construção da barragem em Piraju, veio morar aqui um jovem engenheiro chamado Lustosa, que era o responsável pelo canteiro de obras da barragem. Hospedou - se numa antiga pensão próximo a praça central da cidade, e todas as noites após o jantar, o jovem rapaz fazia uma caminhada até a praça, onde descansava.
Numa dessas noites, percebeu na janela de um casarão que ficava numa das esquinas, uma jovem de longos cabelos que o olhava. A partir daí todas as noites o jovem engenheiro passava pela janela e cumprimentava a moça, que tímidamente retribuía.
Depois de muitas noites, o jovem encheu - se de coragem e foi até a casa e explicou aos pais da moça seu interesse. Foi repelido pela família dela, pois alegaram que ninguém sabia de onde ele vinha e não coneciam sua família, além do que a moça era muito jovem. Ele insistiu porém sem êxito, saiu da casa sem nem saber o nome da moça.
Durante os próximos meses a janela permaneceu fechada, e Lustosa não sabia se essa iniciativa era por decisão da moça ou se estava sendo forçada. Ele não desistia e continuava todas as noites a olhar para a janela em busca da sua amada. Tanta insistência teve resultado, e após alguns meses a moça reapareceu, e a paixão estava mais forte. Essa paixão agora, passou a ser relatada em cartas que eram colocadas embaixo de um vaso de rosas que ficava na janela. Esse amor foi crescendo até que um dia um dos irmãos encontrou uma carta e entregou ao pai. Sem querer saber de nada, o pai imediatamente enviou a filha para um colégio interno em São Paulo, de onde só sairia quando o engenheiro tivesse ido embora.
Lustosa ficou arrasado com a separação e quando as obras na usina terminaram ele continuou em Piraju aguardando o retorno da moça. Enquanto isso se responsabilizou em replanejar a praça. Para representar seu amor construiu na praça um lago em forma de coração, cuja extremidade aponta para a janela onde a moça ficava.
O tempo passou e a família da moça não voltava atrás, por causa do amor incompreendido Lustosa tentava aliviar sua dor no álcool, em muito pouco tempo teve fraqueza pulmonar e logo depois morreu num sanatório em Campos de Jordão.
A moça voltou para casa, nunca se casou e até seu falecimento todas as noites saia na janela no mesmo horário de sempre, quem sabe em busca de ver seu amor ou receber uma de suas cartas.
Essa é a foto do tal lago que fica na Praça Ataliba Leonel no centro de Piraju. Essa linda história de amor foi contada pela dona Diva do Val, uma memória viva de muitas histórias de nossa cidade, e foi escrita de maneira poética pelo Théo Motta, que escreve para um dos jornais da nossa cidade, o que faz com muita competência. É evidente que nas palavras dele o conto fica muito melhor por isso coloco abaixo a publicação do jornal na íntegra.
6 comentários:
- Beth/Lilás disse...
-
Oi, Kelly!
Desculpe, mas não vim antes porque não estava entendendo quem era você, havia perdido teu link, mas agora eis-me aqui de volta.
Lindo texto!
bjs cariocas -
15 de setembro de 2011 01:23
- Pelos caminhos da vida. disse...
-
E como tem muitas hístórias assim...
Saudades daqui e de vc amiga.
beijooo. -
15 de setembro de 2011 11:30
- Jorge disse...
-
Cada cidade tem ricas e maravilhosas histórias para contar. Seria bem interessante se escrever livros falando de "causos", não é mesmo?
Anjo, beijo, de coração!! -
15 de setembro de 2011 18:10
- Cissa Branco disse...
-
Kelly,
Que especial essa história, um verdadeiro amor eterno. Adoro arquitetura e trabalho sempre que posso com história oral, os relatos são riquíssimos e servem para escrever uma história paralela e no meu entendimento, muito mais verdadeira e vida, que a história oficial.
Grandes beijos -
16 de setembro de 2011 03:39
- Luma Rosa disse...
-
Que história de amor triste, porque mesmo com tanta dedicação do engenheiro, os pais da moça não se sensibilizaram? Por guardar tanto a filha, causaram somente infelicidade.
Também gosto de histórias antigas e você deveria ter o dom da fotografia, pelo menos memorizava essas construções que um dia poderão não mais existir.
Boa semana! Beijus, -
21 de setembro de 2011 01:22
-
Theo Motta disse...
-
Oi Kelly.
Obrigado por ter postado no seu blog meu texto sobre O Coração do Lustosa,sobre uma historia de amor envolvendo uma senhorita de tradicional familia pirajuense,e um engenheiro,que chegou á cidade para construir uma barragem.Como tantas outras,essa historia de amor não teve um final feliz,porem pela sua originalidade,já que o lago em forma de coração aponta para a janela da casa onde a moça morava,juntamos a memoria prodigiosa de dona Diva do Val Golfieri,e escrevemos Love Letters.Abraço. -
15 de outubro de 2011 08:03
6 comentários:
Oi, Kelly!
Desculpe, mas não vim antes porque não estava entendendo quem era você, havia perdido teu link, mas agora eis-me aqui de volta.
Lindo texto!
bjs cariocas
E como tem muitas hístórias assim...
Saudades daqui e de vc amiga.
beijooo.
Cada cidade tem ricas e maravilhosas histórias para contar. Seria bem interessante se escrever livros falando de "causos", não é mesmo?
Anjo, beijo, de coração!!
Kelly,
Que especial essa história, um verdadeiro amor eterno. Adoro arquitetura e trabalho sempre que posso com história oral, os relatos são riquíssimos e servem para escrever uma história paralela e no meu entendimento, muito mais verdadeira e vida, que a história oficial.
Grandes beijos
Que história de amor triste, porque mesmo com tanta dedicação do engenheiro, os pais da moça não se sensibilizaram? Por guardar tanto a filha, causaram somente infelicidade.
Também gosto de histórias antigas e você deveria ter o dom da fotografia, pelo menos memorizava essas construções que um dia poderão não mais existir.
Boa semana! Beijus,
Oi Kelly.
Obrigado por ter postado no seu blog meu texto sobre O Coração do Lustosa,sobre uma historia de amor envolvendo uma senhorita de tradicional familia pirajuense,e um engenheiro,que chegou á cidade para construir uma barragem.Como tantas outras,essa historia de amor não teve um final feliz,porem pela sua originalidade,já que o lago em forma de coração aponta para a janela da casa onde a moça morava,juntamos a memoria prodigiosa de dona Diva do Val Golfieri,e escrevemos Love Letters.Abraço.
Postar um comentário